Homilia - Missa do Crisma 2020

POSTADO EM 04 de AGOSTO de 2020


                                         Image titleMISSA do CRISMA

   04 de agosto de 2020

HOMILIA


“... Da sua cruz, o Senhor desafia-nos a encontrar a vida que nos espera, a olhar para aqueles que nos reclama, a reforçar, reconhecer e incentivar a graça que mora em nós. não apaguemos a mecha que ainda fumega (cf Is 42,3), que nunca adoece e deixemos que reacenda a esperança...” (Vida após a pandemia, Papa Francisco).




                                          Caríssimos irmãos presbíteros, diáconos, religiosos, religiosas, seminaristas, leigos e leigas de nossas paróquias e comunidades, coordenadores de atividades pastorais e evangelizadoras, movimentos e grupos  presentes, e os que nos acompanham pelas redes sociais.

                                          Como Igreja Diocesana, estamos reunidos nesta manhã, numa Solene Celebração Eucarística, fazendo a memória dos 95 anos da criação de nossa querida Diocese de Bragança Paulista, abençoando os santos óleos do batismo e dos enfermos e consagrando o santo Crisma, celebrando o dia do padre e os 40 anos de ministério presbiteral do Bispo Diocesano. E ainda, a presentando o 4º Plano Diocesano de Pastoral. 

                                 Em comunhão com o Bispo, “principal dispensador dos mistérios de Deus”, com os presbíteros, e a participação dos fiéis leigos, mesmo que via on-line, esta Celebração Eucarística nos impulsiona a ser e a viver o que somos: “membros do mesmo corpo e coparticipantes da promessa de Jesus Cristo por meio do Evangelho...” (Ef. 3,6).

                                    Ao longo desta celebração, juntamente com a bênção do óleo para os enfermos e o óleo dos catecúmenos, é consagrado o santo crisma, sinal sacramental de salvação e de vida perfeita para todos os que renascem pela água e pelo Espírito Santo. Sabemos que o azeite possui amplo significado. Serve para medicamento e é usado para ungir os enfermos – alívio na dor. Infunde alegria, sabedoria e virtudes divinas nos catecúmenos. Proporciona ainda o embelezamento, adestra para a luta e da vigor. 

                                    Nos vários sacramentos, o óleo consagrado é sempre sinal da misericórdia de Deus. Por isso, a unção para o sacerdócio significa também a missão de levar a misericórdia de Deus aos irmãos e irmãs.

                                   Meus irmãos presbíteros, na lâmpada da nossa vida, não deveria jamais faltar o óleo da misericórdia. Não nos cansemos de procurá-lo, a tempo, junto do Senhor – no encontro com a sua Palavra, recebendo os sacramentos, demorando-nos em oração junto dele.          

                                   Com Jesus Cristo e sua Igreja salmodiamos: “amas a justiça e odeias a iniquidade; por isso Deus, o teu Deus, te consagrou com o óleo da alegria... O óleo da alegria que é o próprio Espírito Santo infundido sobre Jesus Cristo. O Espírito Santo é a alegria que vem de Deus. A partir de Jesus, esta alegria se derrama sobre nós no seu Evangelho, na Boa-Nova de que Deus nos conhece, que ele é bom e que a sua bondade é um poder superior a todos os poderes, que somos queridos e amados por ele...” (Bento XVI).

                                   Meus irmãos presbíteros: Neste tempo de pandemia, convido-os como Jesus a abraçar a cruz: “...Abraçar a sua cruz significa encontrar a coragem de abraçar todas as contrariedades da hora atual, abandonando por um momento a ânsia de onipotência e possessão, para dar espaço à criatividade que só o Espírito é capaz de suscitar. Significa encontrar a coragem de abrir espaços onde todos possam sentir-se chamados e permitir novas formas de hospitalidade, de fraternidade e de solidariedade. Na sua cruz, fomos salvos para acolher a esperança e deixar que seja ela a fortalecer e a sustentar todas as medidas e estradas que nos possam ajudar a salvaguardar-nos e salvaguardar. Abraçar o Senhor, para abraçar a esperança. Aqui está a força da fé, que liberta do medo e dá esperança...” (Vida após pandemia, Papa Francisco). “Não tenhais medo”. 

                                   Percorramos esse caminho na comunhão presbiteral,  com fidelidade e com confiança. Quanto a mim irmão no ministério, agradeço a vocês que são bons padres, cada um na medida em que lhe foi concedido ser, mas bons padres. O Bispo os ama e todo sofrimento decorrente desse amor é oferecido no altar, em cada Eucaristia. É tudo o que desejo dizer-lhes nestes meus 40 anos de ministério presbiteral, aproximadamente 11 deles com vocês. E peço perdão se não sou com vocês o padre e o Bispo que desejam. Quanto a mim peço a Deus cada dia, acolhê-los e compreendê-los como são, na certeza de que o amor tudo supera, e que bondade de Deus pode a todos transformar, tornando-nos melhores.

                                   Preparando esta homilia e rezando a vida e o serviço dos irmãos cristãos leigos e leigas que nos acompanham pelas redes sociais, deparei-me com a carta a Diogneto, um breve documentário da antiguidade cristã de autor desconhecido, escrita por volta do ano 100. Revisitando-a, percebi que se trata da mais bela apologia do cristão frente ao mundo pagão daquela época, e que continua válida para os dias de hoje, pois o paganismo nos ameaça de modo avassalador. Destaco entre muitos, alguns aspectos: a) não se distinguem os cristãos dos demais, nem pela região, nem pela língua, nem pelos costumes; b) não habitam cidades à parte, não empregam idiomas diferentes dos outros, não levam gênero de vida extraordinário; c) seguem os costumes locais relativamente ao vestuário, à alimentação e ao restante estilo de viver, apresentando um estado de vida (político) admirável e sem dúvida paradoxal; d) moram na própria pátria, mas como peregrinos; e) estão na carne, mas não vivem segunda a carne; f) amam a todos, e por todos são perseguidos; g) desconhecidos, são condenados. São mortos e com isso se vivificam; h) pobres, enriquecem a muitos, tudo lhes falta, e têm abundância de tudo; i) tratados sem honras, mas desonrados são glorificados, são amaldiçoados, mas justificados; j) amaldiçoados e bendizem; k) fazem o bem e são castigados qual malfeitores; l) o que é a alma no corpo, são no mundo os cristãos; m) residem no mundo, mas não são do mundo; n) Deus os colocou em tão elevado posto, que não lhes é lícito recusar... (Carta a Diogneto).

                                   “Os cristãos leigos e leigas são ‘embaixadores de Cristo’. Tem cidadania própria do povo de Deus; são participantes do ‘pleno direito na missão da Igreja’. Tem um lugar insubstituível no anúncio do Evangelho” (Documento 105 da CNBB, nº 128).

                                    Aos seminaristas presentes,e aos que participam pelas redes sociais, recordo o chamado pessoal que cada um recebeu a exemplo do chamado dos primeiros discípulos. “...Depois subiu a montanha, e chamou a si os que ele quis, e eles foram até ele...” (Mc 3, 13). Destaco ainda: “...Viver em seminário, escola do Evangelho, significa viver o segmento de Cristo como os apóstolos; significa deixar-se iniciar por ele no serviço do Pai aos homens, sob a orientação do Espírito Santo; significa deixar-se configurar a Cristo, Bom Pastor para um melhor serviço sacerdotal na Igreja e no mundo. Formar-se para o sacerdócio significa habituar-se a dar uma resposta pessoal à questão fundamental de Cristo: ‘Tu me amas?’ A resposta para o futuro sacerdote, não pode ser se não o dom total de sua própria vida...” (Pastores Dabo Vobis – sobre a formação dos sacerdotes, São João Paulo II, nº 42).

                                    Aos consagrados e consagradas, asseguro que ocupam um lugar particular em nossa Diocese, pois a enriquecem e a renovam com seus carismas. “Um sinal claro da autenticidade e fecundidade de cada um de seus carismas é sua eclesialidade, seja como capacidade de integração harmoniosa na vida do povo de Deus para o bem de todos, seja como vida comunitária, como uma força peculiar no caminho da busca da santidade. Os consagrados e consagradas vivem a sua entrega a Deus e sabem que essa entrega ultrapassa o humano, e só pode ser compreendida segundo o ‘mistério de Deus’. Sabem que suas vidas darão frutos, sem pretender conhecer como, onde ou quando; estão seguros, na fé, de que não se perde nenhuma de suas obras feitas com amor, nenhuma das suas preocupações sinceras com os outros, não se perde nenhum ato de amor a Deus, nenhum de seus cansaços, não se perde nenhuma paciência... Tudo circula pelo mundo como uma força de vida. É algo muito mais profundo que escapa a toda e qualquer medida, e por isso é também um desafio que deve pôr em jogo a criatividade, audácia missionária, a sensibilidade, a inserção e a itinerância ao lado dos mais favorecidos e excluídos” (Irmã Odette Bechara, FI).

                                   Concluímos rendendo graças a Deus pelos 95 anos de nossa amada Diocese de Bragança Paulista. Sua história não é diferente da história de tantas outras Dioceses. A diferença é só esta. Ela foi constituída sob a égide da mãe de Deus entre nós a virgem da Conceição do Jaguary. Sua luz e consolação nos permita continuar a peregrinação por este mundo até o encontro final. Amém.

                                  


† Sérgio

Bispo Diocesano

                                                                                                                    

 

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