HOMILIA na Solenidade da Santa Mãe de Deus, Maria - 2017

POSTADO EM 31 de Dezembro de 2016

HOMILIA

Solenidade da Santa Mãe de Deus, Maria - 2017

Catedral Nossa Senhora da Conceição – Bragança Paulista.

Irmãos e irmãs,

Os votos de paz e de prosperidade anunciam o início do novo ano. Vivendo as alegrias do Natal, contemplamos o “Filho que nos foi dado”, Filho de Deus, dom do seu amor, aquele que nos traz a paz e conduz à verdadeira felicidade, possível no compromisso com a justiça, na solidariedade e no amor. Mais que propósitos e intenções, a paz é sempre dom e tarefa a despertar nossas consciências e a dos que dirigem os povos, para o reconhecimento da dignidade do ser humano, em qualquer circunstância e lugar, assim como a de todo o universo. No caminho para a paz, a cooperação desprovida de interesses corporativistas, econômicos ou ideológicos, de ódio e de discriminação, será sempre de decisiva importância. Se o ano que passou não alcançou a paz desejada, e muitos acontecimentos no campo político, social e econômico revelaram comportamentos antiéticos assombrosos, em nossa e em outras sociedades, sobretudo, por parte dos detentores do poder, renova-se a esperança. É ela que nos faz olhar sempre em frente.

Ao iniciarmos o novo ano, voltamos nossos olhares para Maria, a Mãe de Deus, mulher que gerou por obra do Espírito Santo a salvação, Jesus Cristo, que nasceu sob o domínio da Lei para todos libertar da Lei, fazendo-os viver como filhos e filhas, irmãos e irmãs, no Filho de Deus, Jesus, o Príncipe da Paz. A figura em destaque, não é a de Maria, Rainha da Paz, mas a do Príncipe da Paz, fonte de toda bênção para todos os que são amados por Deus.

A liturgia de hoje na Primeira Leitura e no Evangelho, apresenta a manifestação da bênção de Deus, preparada desde sempre para ser plena e eficaz em Jesus, cujo nome significa: “Deus está salvando”. A Leitura do Livro dos Números, que acabamos de ouvir, lembra que a bênção é participação na vida com Deus – bênção como garantia da presença de Deus – bênção dada pelo sacerdote nos grandes encontros do povo, sobretudo ao final das Celebrações litúrgicas.

1. Bênção como proteção de Deus, que se traduz no cuidado com o seu povo ao longo da história. Deus é aquele que caminha com os que pertencem a Ele.

2. Bênção como benevolência, que se expressa no rosto misericordioso de Deus. É ele que favorece a vida.

3. Bênção como paz e prosperidade completa, paz messiânica: saúde, trabalho, vida digna em família, partilha, superabundância de bens e alegria.

Nesta noite de ano novo é essa bênção que queremos para nós e para toda a humanidade, porém, é necessário que nos curvemos diante de Jesus, plenitude da bênção de Deus. É em Jesus humilde e pobre que está tudo o que Deus tem para a humanidade, Ele é o Salvador, e os primeiros a reconhecerem isso são os pastores, gente pobre que andava em terras alheias, marginalizados social e religiosamente. Eles, os pastores que aceitam Jesus como Messias, vão contentes anunciar as maravilhas que Deus está realizando: eles se tornam os primeiros evangelizadores, porque entenderam a linguagem da manjedoura. Na simplicidade eles propagam que a bênção de Deus chegou na forma de uma criança, que nasceu excluída para os excluídos, preferencialmente. Deus em seu Filho se fez solidário com os últimos do mundo. Maria é a primeira a reconhecer a solidariedade de Deus, e a discernir sua presença no Filho que ela gerou no amor, pela ação do Espírito Santo. Tudo ela conservava no coração, tudo interpretava a partir do desígnio amoroso de Deus.

Ontem, hoje e sempre a salvação consiste em acolher Jesus, aceitar sua Palavra e vive-la na fraternidade: todos somos irmãos e irmãs – filhos e filhas do mesmo Pai – e quem acolhe Jesus é transformado em nova criatura e passa a viver na liberdade, portanto, não mais sob o domínio da Lei.

Acolhemos com alegria neste primeiro dia do ano, a mensagem do Santo Padre o Papa Francisco para a celebração do 50º Dia Mundial da Paz com o tema: A não violência – estilo de uma politica para paz. O Papa retoma a primeira mensagem que foi dirigida a todos os povos pelo Beato Papa Paulo VI que afirmava sem equívocos: “finalmente resulta, de forma claríssima, que a paz é a única e verdadeira linha do progresso humano, não as tensões de nacionalismos ambiciosos, nem as conquistas violentas, nem as repressões geradoras de uma falsa ordem civil”, advertindo ainda contra o “perigo de crer que as controvérsias internacionais não se possam resolver pelas vias da razão, isto é, das negociações baseadas no direito, na justiça, na equidade mas apenas pelas vias dissuasivas e devastadoras”.

É verdade, afirma o Papa, que hoje vivemos uma guerra mundial aos pedaços: terrorismo, criminalidade e ataques armados imprevisíveis, os abusos sofridos pelos migrantes e as vitimas do tráfico humano, a devastação ambiental. Com certeza a violência não permite alcançar valor duradouro, e tudo que ela obtém são represálias e espirais de conflitos letais que beneficiam apenas a poucos, “os senhores da guerra”.

A violência não é o remédio para o nosso mundo dilacerado. Os cristãos creem, e o mundo precisa crer que a não violência que não é um mero comportamento tático, mas um modo de ser de toda pessoa, uma atitude de quem está tão convicto do amor de Deus e do seu poder, que não tem medo de enfrentar o mal somente com as armas do amor e da verdade. O amor ao inimigo constituí o núcleo da “revolução cristã”. Mas poderoso que a violência, é o amor capaz de criar a possibilidade de estarmos juntos e nos amarmos uns aos outros. Só a não violência, praticada com decisão e coerência, produz resultados impressionantes.

Quanto as religiões afirma o Papa, “nenhuma é terrorista”. Nenhuma religião profana o nome de Deus. Nunca nos cansemos de repetir: “jamais o nome de Deus pode justificar a violência, só a paz é santa, não a guerra”.

O Papa recorre ainda a sua Exortação Apostólica: “Amoris Laetitiae” – sobre o amor na família. No acolhimento mutuo, no cuidado uns para com os outros, no diálogo, no respeito, na busca do bem do outro, na misericórdia e no perdão está a raiz doméstica de uma politica não violenta.

Quanto a Igreja católica, a mesma acompanhará toda tentativa de construir a paz, inclusive através da não violência ativa e criativa. No dia 1º de janeiro de 2017, nasce o novo Dicastério – Departamento Pontifício para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, que ajudará a Igreja a promover de modo cada vez mais eficaz os bens incomensuráveis da justiça, da paz e da salvaguarda da criação e da solicitude pelos migrantes, os necessitados, os doentes e os excluídos, os marginalizados e as vitimas dos conflitos armados e das catástrofes naturais, os presos, os desempregados e as vitimas de toda e qualquer forma de escravidão e tortura”. O Santo Padre termina desejando a paz que se constrói cada dia a partir de pequenos gestos, no sofrimento, na paciência, na grandeza de coração. “Nada é impossível se nos dirigimos a Deus na oração”. Todos podemos ser artesãos da paz.

Feliz Ano Novo a todos os presentes, aos irmãos e irmãs bragantinos e a todas as famílias de nossa Diocese, a paz nos seja verdadeiramente alcançada pelo Príncipe da paz, Jesus.

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+ Sérgio

Bispo Diocesano

“Como aquele que serve”

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