Os cristãos leigos e leigas

POSTADO EM 24 de Novembro de 2017

Irmãos e Irmãs!

    É sempre com alegria e com sentimentos de profunda admiração que falamos dos cristãos leigos e leigas que, na corresponsabilidade eclesial, na família, no trabalho e na sociedade, dão testemunho do Evangelho. O Concílio Ecumênico Vaticano II, na Constituição Dogmática Lumen Gentium – sobre a Igreja –  no capítulo IV, os apresenta como “... congregados ao povo de Deus e constituídos num só Corpo de Cristo sob uma só cabeça. Batizados e confirmados na fé, participam da missão salvífica da Igreja. Alimentados pelos sacramentos, mormente a Eucaristia, vivem o seu apostolado e tornam a Igreja presente e operosa, naqueles lugares e circunstâncias onde apenas através deles ela pode chegar como sal da terra...” (n. 33). 


    É nesse sentido que compreendemos o seu protagonismo – protagonismo dos leigos e leigas. O Cardeal dom Aloísio Lorscheider afirmava que o protagonista é o que ocupa o primeiro lugar num acontecimento. O Papa, hoje beato Paulo VI, na Evangelii Nuntiandi – A evangelização no mundo contemporâneo – ao tratar dos obreiros da evangelização, define o campo próprio da atividade evangelizadora dos leigos e leigas, como sendo o “mundo vasto e complicado da política, da realidade social, da economia, como também o da cultura, das ciências e das artes, da vida internacional, dos meios de comunicação e ainda outras realidades abertas para a evangelização, como sejam o amor, a família, a educação das crianças e dos adolescentes, o trabalho profissional e o sofrimento...”(n.70).

     Assim, os cristãos leigos e leigas, pela sua índole secular, são os que garantem pela sua presença no mundo – pelo seu protagonismo, em primeira linha e em primeiro plano – a PRESENÇA EVANGÉLICA. É para dentro do mundo que são chamados a exercer o seu ofício próprio, como obrigação, como dever de estado. Não se trata de uma concessão da Igreja, mas do fato de ser Igreja.

     Nossas paróquias, em suas ações pastorais e evangelizadoras, nos grupos, movimentos e novas comunidades, promovam os leigos e leigas, livres de todo clericalismo e sem redução intraeclesial como pediu a Conferência de Santo Domingo em 1992. Num laicato bem estruturado, maduro e comprometido, com formação permanente, está o sinal de que as Igrejas levam a sério o compromisso da nova evangelização que ocupou o lugar de preminência no pontificado de Bento XVI. São os cristãos leigos e leigas que estão mais aptos para “modificar pela força do Evangelho, os critérios de julgar, os valores que contam, os centros de interesse, as linhas de pensamento, as forças inspiradoras e os modelos de vida da humanidade, que se apresentam em contraste com a Palavra de Deus e com o desígnio da salvação” (EN, n. 19)

     Com eles, numa adequada autonomia e organização, uma vez que são SUJEITOS ECLESIAIS, sejam constituídos em nossas paróquias os Conselhos de Leigos, sobretudo para a dinamização da ação pastoral e administrativa.   

    Ao propor a celebração do ANO do LAICATO, que terá início na solenidade de Cristo Rei do Universo deste ano e se estenderá até a mesma solenidade  de 2018, a Igreja no Brasil, através dos seus pastores, compromete-se a acolher e colaborar para que se firme sempre mais o que são os leigos e leigas na Igreja e na Sociedade: “Sal da terra e Luz do  mundo” ( Mt 5, 13-14), “confiando-lhes responsabilidades e ministérios; escutando os seus apelos e os seus gritos silenciosos; reconhecendo-os em suas reais situações como faziam os apóstolos (2Tm 4, 19-21); apoiando-os em sua formação e organização próprias e sofrendo juntos as angústias e partilhando as esperanças da ação evangelizadora”( Cristãos leigos e leigas na Igreja e na sociedade – “Sal da terra e luz do mundo” (Mt 5, 13-14), doc. 105 da CNBB, n. 283.

     Sob o olhar de Maria, mãe de Jesus, mãe da Igreja, “estrela da evangelização”, bispo, presbíteros, diáconos, religiosos(as), seminaristas, animadores de grupos e comunidades, coordenadores de atividades pastorais e todo o povo dos batizados – cristãos leigos e leigas – cultivemos a espiritualidade missionária para uma Igreja missionária, Igreja em saída” como pede o Papa Francisco, expressando sempre a comunhão e a corresponsabilidade, capazes de manter viva a nossa vocação cristã: AMAR e SERVIR.



                                                                                            + Sérgio                                                                                                                                         

                                                                                      Bispo Diocesano

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