Fraternidade e diálogo: compromisso de amor

POSTADO EM 03 de Fevereiro de 2021


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Fraternidade e diálogo: compromisso de amor



                                                  Irmãos e irmãs,

Chegou o tempo da Quaresma, caminho para a Páscoa, acontecimento central da vida cristã e coração do ano litúrgico. Tempo especial para o encontro com a misericórdia de Deus e a retomada de nossa vocação batismal no seguimento de Jesus, sempre pronto a nos acolher, Ele, nosso “caminho, verdade e vida” (Jo 14,6). Chamados a retomar com confiança a contrição, nos identificaremos sempre mais com Ele, que nos amou e se entregou por nós.


Com os exercícios quaresmais, somos convidados à oração, na proximidade e amizade com o Senhor, acolhendo seu projeto de amor; no jejum que, mais que o desapego a si mesmo, propõe “desatar os laços provenientes da maldade, desamarrar as correias do jugo, pôr em liberdade os oprimidos...” (Is 58,6); na esmola, “o repartir o pão com o faminto e comprometer-se com os pobres” (Is 58, 7ss).


No período quaresmal, a Igreja no Brasil realiza, desde 1964, a Campanha da Fraternidade, como um tempo privilegiado de evangelização, voltando-se para uma realidade desafiadora que, em meio a tantas outras, pede o compromisso de todos para sua superação, abrindo caminhos à conversão. Desde o ano 1980, o Conselho Nacional das Igrejas Cristãs (CONIC), da qual a Igreja Católica é membro, almejava uma Campanha Ecumênica de evangelização. Sonho que, após muito diálogo,se concretizou a partir de 2000 – na comemoração do nascimento de Jesus – Ano Jubilar – aurora de um novo milênio. Assim, a cada cinco anos, a CNBB e o CONIC realizam em conjunto a Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE), com temas e lemas de interesse comum às Igrejas.


Em 2021, a Campanha da Fraternidade Ecumênica, conta com a participação do Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular (CESEP) e tem como tema: Fraternidade e diálogo: compromisso de amor, e como lema: “Cristo é a nossa Paz: do que era dividido fez uma unidade” (Ef 2,14ª), sinalizando que o diálogo é o melhor testemunho que os cristãos podem dar. 


A Campanha deste ano “quer ser um convite para viver um jejum que agrada a Deus e que conduz à superação de todas as formas de intolerância, racismo, violências e preconceitos. Queremos que nosso arrependimento contribua para assumirmos outras posturas em relação a cada pessoa que encontrarmos ao longo do caminho e que, ao longo dos 40 dias da Quaresma, nos perguntemos se nossa prática cristã promove a paz ou potencializa o ódio. Esperamos que este seja um tempo que nos ajude a testemunhar e anunciar com a própria vida que Cristo é a nossa paz, adotando comportamentos de acolhida, de diálogo, de não violência e antirracistas” (Texto base, n. 14).


Que esta CFE inquiete nossas comunidades diocesanas e suas lideranças, abra mentes e corações para uma visão ecumênica do ser Igreja hoje; o jejum, a oração e a esmola superem as exigências rituais; a COVID-19, que nos mergulhou no medo, na insegurança e ceifou muitas vidas, revelando nossa vulnerabilidade, fragilidade e finitude humanas, nos ajude a acreditar que ninguém se salva sozinho: nos salvamos juntos ou perecemos todos igualmente; nos faça reconhecer que as barreiras que construímos ao longo do caminho trouxeram muito sofrimento ao mundo inteiro, não permitindo ao Evangelho da Paz fecundar comunidades segundo o jeito de Jesus e colaborar para a edificação de uma sociedade com oportunidade e dignidade para todos.


Não tenhamos medo, o Senhor está conosco, ele sempre nos alcança no caminho e aquieta os nossos corações, como fez com os discípulos de Emaús.


“Não temos ideia de como estará o mundo durante a CFE 2021. O que sabemos é que a pandemia nos ensina o quanto a cultura do encontro, da celebração, das cirandas, é essencial para a nossa espiritualidade. Oremos para que possamos conversar sobre fraternidade e diálogo em rodas de encontros presenciais, e mesmo que aconteçam de forma virtual, que a CFE 2021 contribua para a nossa conversão. Queremos que ela ajude a florescer a cultura da paz como consequência da transformação de todas as estruturas desiguais, como o racismo, a disparidade econômica, de todas as formas de segregação, geradoras de conflito e violência, concretizando, assim, a oferta de Cristo: "Eu vim para que todos tenham vida e vida em plenitude"” (Jo 10,10) (Texto Base, n. 7).


A mãe de Jesus, fiel e silenciosa no seguimento de seu Filho, nos acompanhe nesta caminhada para a Páscoa.



† Sérgio

Bispo Diocesano

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