Especialistas em proximidade

POSTADO EM 02 de Dezembro de 2019

Especialistas em proximidade




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De 04 a 16 de novembro ocorreu em Roma o Curso para reitores e formadores de países de Língua Portuguesa. O curso organizado pela Congregação do Clero teve por objetivo oferecer um maior conhecimento sobre a nova “ratio”, isto é, as orientações para a formação presbiteral.


Foram dias de muito estudo, reflexão, partilha em grupos, convivência e oração. Em caráter de síntese poderia afirmar que durante estes dias nos debruçamos para compreender a fundamentação de cada uma das dimensões da pessoa humana e das etapas formativas do itinerário da vocação presbiteral.


Os estudos destes dias trouxeram contribuições para o serviço formativo que realizamos. Mencionarei aqui algumas reflexões destes estudos. Primeiramente, a reflexão acerca da importância do processo formativo à luz dos princípios fundamentais da nova “ratio”.


Pe. Adelson Araújo, SJ refletiu conosco sobre a Dimensão Humana e a formação e a Dimensão Espiritual e a formação. Procurou ele apresentar uma concepção de pessoa à luz da antropologia cristã. O ser humano é formado da unidade corpo+alma e precisa por isso mesmo cuidar de suas dimensões humana, intelectual, espiritual e pastoral (missionariedade).


O ser humano é chamado a realizar-se segundo o Espírito e para alcançar esta meta precisa conhecer-se a si mesmo. É preciso cultivar uma vida de oração e intimidade com o Senhor que favoreça um exame de si mesmo permanente e através do discernimento seja possível reconhecer o quanto estamos vivendo segundo o Espírito e não segundo a carne.


O Cardeal Tolentino refletiu conosco sobre a dimensão intelectual. A partir de um artigo de Rubem Alves chamado “A arte de produzir” demonstrou-nos a importância de despertar os formandos para o desejo de conhecer. Neste artigo, Rubem Alves, cita Adélia Prado que diz: “Não quero faca, nem queijo; quero é fome”, assim, o Cardeal Tolentino, afirmou que o importante é deixar os formandos com fome (desejo de conhecer, aproximar, compreender, dialogar, etc).


Ainda ensinou os passos para uma disciplina de estudos através da metodologia de Simone Weil: O importante é a atenção dada ao estudo. Mesmo que a mente possa dispersar, o importante é dar atenção ao que se faz naquele momento assumido como tempo comprometido a estudar.


Pe. German Arana, SJ nos deu a oportunidade de realizarmos um retiro durante o curso. E o convite que nos fez nada mais foi que crescer na confiança no Senhor. A fé é confiança. Querer estar com o Senhor que é Bom Pastor que configura nosso coração semelhante ao seu.


Pe. Emílio Lavaniegos ajudou-nos a compreender de forma simbólica o processo formativo. Ofereceu-nos uma imagem de um triângulo sustentado por um eixo no meio. A base é a dimensão humana, os catetos, a dimensão intelectual e pastoral, e o eixo a espiritual. Segundo ele, quanto maior for a dimensão humana maior serão as outras. Ele ainda ofereceu pistas para a elaboração prática do regulamento e o projeto formativo que funcionam como uma espécie de ”bússola e mapa”.


Destaco ainda o cuidado demonstrado pela Congregação do Clero a nós formadores do Brasil por Dom Patrón, o Cardeal Stella e o Pe. Fábio Guimarães. Sentimo-nos acolhidos e temos consciência da responsabilidade que nos foi dada. O desafio da formação e mesmo da Igreja ou ainda de toda religião neste século é o diálogo. Estas foram às palavras do Cardeal Tolentino: “O futuro das religiões passa pelo diálogo inter-religioso”.


Promover uma cultura do encontro que nos ajude a “construir pontes” ao invés de “levantar muros” é o desafio do nosso século. Somos chamados a viver unidos convivendo entre diferentes. E isto só será possível se formos “especialistas em proximidade”.


A mensagem que deixou o Papa Francisco no seu encontro conosco foi para sermos especialistas de proximidade. Ele reconhece a importância do serviço do reitor e diz que devemos formar padres que sejam próximos de Deus, do Bispo, do presbitério e do povo de Deus. E por fim, diria, próximos dos pobres. Participando do Dia Mundial dos Pobres não há como não compreender a mensagem que não vem só pelas palavras, mas pelo testemunho do Santo Padre que se faz próximo daqueles que experimentam a indiferença de seus irmãos e irmãs.


Rezemos pelo Papa Francisco que conduz corajosamente a Igreja de Cristo e que nos chama a vivermos nossa vocação de sermos irmãos e irmãs uns dos outros e a cuidar da Casa Comum. Rezemos pelos bispos e padres. Rezemos por todo o Povo de Deus. Rezem pelos formadores do Brasil para que possamos colaborar na formação de “pastores com cheiro de ovelhas”, “construtores de pontes”, capazes de promover uma “cultura do encontro” e comprometidos com o “cuidado com a Casa Comum”.




Pe. José Antonio Boareto

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