Enxergar como Deus enxerga

Enxergar como Deus enxerga

POSTADO EM 31 de Março de 2017

Por. Monsenhor Giovanni Barrese

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Costuma-se dizer que osfatos têm sempre, pelo menos, duas faces, Como as moedas. Outros dizem que arealidade é multifacetada. Quase chegando a afirmação que não existe condiçãode ser objetivo.

Acontece que, na prática, acabamos sempre fazendo juízos sobreos acontecimentos. Existiria um parâmetro para que pudéssemos ter visão verdadeirasobre as pessoas e suas ações? Parece que na linha das escolhas do pensamento,das correntes do saber, estaríamos sempre retidos nas malhas das múltiplasinterpretações. Minha proposta é buscar a segurança na perspectiva do agir deDeus na história. Move-me, em primeiro lugar, a leitura bíblica que fala daunção de Davi como rei de Israel (1 Samuel 16,1-12).

A Bíblia fala que Deusenviou o profeta Samuel para Belém, para a família de Jessé, a fim de ungir umnovo rei para substituir Saul, que não lhe era fiel. Lá chegando e anunciandosua missão, recebe de Jessé a indicação do filho mais velho para que seja o rei.Jesse reage com aquilo que é a sua tradição: o primogênito. Que tambémestampava, no seu físico, o imaginário do que deve ser a aparência física de umrei.  Como diz o texto bíblico: Samueltambém está inclinado à essa escolha. Mas Deus diz não. Não é esse! Jesse vaiapresentando os outros filhos. Ninguém é escolhido. Finalmente falta um. É ummenino, cuidando de ovelhas! Esse é aquele que Deus escolhe contrariando oenxergar humano. E para “justificar” sua escolha Deus diz que o jeito de Deusenxergar fatos e pessoas não é o nosso jeito.

Nós olhamos as aparências, Deusenxerga o coração. Esse parece ser o critério que dá base a visão justa sobreas pessoas e sobre a realidade. Se é assim, como obter o dom de enxergar ocoração? A chave para essa visão está no episódio narrado por São João no seuEvangelho: a cura do cego de nascença (João 9, 1-41). Nesse milagre, realizadopor Jesus, o evangelista percebe a revelação que subjaz ao fato: deixar-setocar por Jesus é a chance humana de poder enxergar! Sem ter o encontro comJesus o homem não pode enxergar. Suas ações estarão sempre sob as trevas da nãovisão. Este tema é desenvolvido por São Paulo em sua carta aos Efésios (5,8-14).

Ele afirma que marcados pela fé em Cristo, somos filhos da Luz e que nossasações dever ser vividas sob a Luz. E que a Luz que transportamos deve iluminaras trevas para que suas ações sejam descobertas. E que os filhos da Luz devemdenunciar com firmeza as obras das trevas. Paulo fala que os frutos de quemvive sob a Luz são bondade, justiça, verdade. Enquanto que os frutos de quemvive nas travas são coisas que envergonham e são escondidas.

A compreensãodestes textos da Bíblia nos deve dar condições de analisar nosso comportamentopessoal e coletivo. Ao olhar o comportamento das pessoas é consequência excluirfofoca, juízos, maledicência, futricas, mentiras, buchichos, pregar divisão,excluir pessoas, não admitir diferenças, etc. No agir como membros daconvivência humana buscar o Bem Comum e denunciar tudo o que fere a dignidadehumana. Nestes tempos de Lava Jato, Carne Fraca e outras designações, quemostram o desvio da honestidade, é preciso ter atitude que ajude a superar amaldade que se enraíza em nosso existir.

E reagir ao que é proposto fazendosempre a presença do convencimento de que Jesus Cristo nos deixou medidas paraencontrar a superação dos pecados pessoais e dos pecados estruturais. Devemosapoiar a Justiça humana para que seu caminho seja marcado pela aplicação da Leie o legítimo direito à defesa. O partidarismo sem juízo de valor faz cometeriniquidades.

Por outro lado, não pode imperar a força de quem tem o poder e odinheiro. Vivemos momento oportuno para pedir a Deus o dom de enxergar. E dojeito que ele enxerga! E parece que a visão correta passa pelo imenso coação deDeus, manifestado visivelmente no coração de Cristo. No evangelho citado elenão espera que o cego peça o milagre. É iniciativa dele. Sempre atento ao queacontecia ao seu redor. Não entrou no juízo da cegueira, levantado pelosdiscípulos e reflexo do pensamento da época. Antes, condenou-o. E tomouatitude: devolveu ao cego a possibilidade da vida digna. Se tivermos cuidadomaior em emitir nossos juízos e formais, também, mais cuidadosos com palavras eações faremos um bem imenso!    

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