?O cardeal Hummes na Conferência episcopal brasileira - Uma Igreja com o rosto amazônico

POSTADO EM 11 de Abril de 2016

«Devemos apresentar o rosto amazônico da Igreja». É o objetivo específico que o cardeal Cláudio Hummes, na dupla função de presidente da Comissão episcopal para a Amazônia e da Rede eclesial pan-amazônica (Repam), indicou aos bispos brasileiros. A ocasião foi a plenária do episcopado do mais vasto país sul-americano, que decorre até 15 de abril em Aparecida. Uma reunião dedicada principalmente à reflexão sobre o papel dos leigos «sal da terra e luz do mundo» e também ao exame da difícil situação social do país que enfrenta uma crise inédita, pelo menos nos tempos mais recentes, e que se revelou moral antes ainda que económica.

Todavia, durante os dez dias da plenária, a atenção dos prelados não podia deixar de ser chamada também para as enormes necessidades pastorais e sociais de uma área como a amazônica, considerada o «pulmão» natural do planeta, que abrange mais de cinquenta dioceses e corresponde a pouco mais de metade do Brasil. «A Comissão foi instituída para aumentar a consciência da missão na Amazônia, um lugar onde existem muitas carências, especialmente materiais», recordou o purpurado, que frisou precisamente nesta perspetiva a tríplice vocação da Igreja no Brasil, a de ser «missionária», «compassiva» e «profética».

Evidenciando os progressos alcançados nos últimos anos, com um aumento do número de sacerdotes, religiosos e leigos missionários comprometidos na Amazônia — «este crescimento é devido também ao facto de que na formação sacerdotal foram promovidas iniciativas em vista de uma Igreja «em saída», misericordiosa, feita de pobres e para os pobres» — Hummes voltou a realçar o desafio representado pela urbanização crescente, reclamando a necessidade de um modelo de desenvolvimento económico baseado num novo tipo de relação com o ambiente natural. Porque, reiterou com determinação também no encontro com os jornalistas, «este século será decisivo para salvar o planeta». E denunciou o caso de Marajó, a ilha situada na foz do Rio Amazonas, no Estado do Pará, «descuidada pelo Governo estatal e federal, com uma situação agravada por pobreza, miséria e desemprego».

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