Ampliada SPII: É preciso repensar a Misericórdia e dar-lhe o seu devido valor

POSTADO EM 04 de Março de 2016

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A cada ano, no mês de fevereiro, acontece a Reunião Ampliada da Sub-Região Pastoral SPII (São Paulo), que integra as Dioceses de Campo Limpo, Guarulhos, Mogi das Cruzes, Osasco, Santo Amaro, Santo André, Santos e São Miguel Paulista.

A deste ano aconteceu na manhã do sábado, (27/02), na diocese-sede de Santo Amaro. Estiveram presentes os bispos diocesanos, Dom José Negri, da diocese de Santo Amaro, Dom Pedro Carlos Cipollini, da diocese de Santo André, Dom Tarcísio Scaramussa, da diocese de Santos, Dom Luiz Antônio Guedes, da diocese de Campo Limpo, Dom Pedro Luiz Stringhini, da diocese de Mogi das Cruzes, Dom Manuel Parrado Carral, da diocese de São Miguel Paulista, Dom João Bosco Barbosa de Souza, da diocese de Osasco, Dom Edmilson Amador Caetano, da diocese de Guarulhos e presidente desta sub-região, entre eles, seis Bispos eméritos: Dom Fernando Antônio Figueiredo, da diocese de Santo Amaro e Dom Nelson Westrupp, da diocese de Santo André, Dom Jacyr Francisco Braido, da diocese de Santos, Dom Emilio Pignoli, da diocese de Campo Limpo, Dom Fernando Legal, da diocese de São Miguel Paulista, Dom Ercilio Turco, da diocese de Osasco, além  dos padres coordenadores diocesanos de pastoral e representantes de algumas pastorais diocesanas.

O palestrante convidado para a reunião foi o bispo da diocese de Santo André, Dom Pedro Carlos Cipollini. Ele discorreu sobre o Ano Santo da Misericórdia. Acompanhe a seguir os seus ensinamentos: “O século XX terminou com sérios problemas e o novo século começou, e o que vemos são fatos ainda mais assustadores. Povos são obrigados a sair de seus países. Nunca se teve tanto alimento. Os grãos nascem agora em todos os meses do ano, mas nunca tivemos tanta gente passando fome. Tudo por causa da dureza dos corações. É a economia reinando em detrimento do social. Onde está a misericórdia?”.

O palestrante fez este importante alerta. “De há muito o mundo faz de tudo para tirar Deus da vida dos seres humanos. Os objetos sacros não podem mais ficar expostos. Falar de Deus virou algo fora de moda. Mas se esquecem de que Deus é misericórdia. E sem Deus, ficamos sem a misericórdia final”.

Ele também falou da necessidade de se recuperar o significado da misericórdia. “Grande número de pensadores divulgam a tese de um mundo sem Deus. E muitas pessoas acabam aceitando estas ideias. Indagam que se existe Deus não deveria existir tanta maldade no mundo. Eles não se atem ao fato de São Paulo já ter respondido esta questão, ao explicar que onde o pecado é grande, veremos que a misericórdia de Deus é maior”.

Dom Pedro também afirmou que “Justiça sem amor é vingança. Nossas cadeias são preparadas para a vingança e não para a justiça. Tudo por que a misericórdia passou a ser um tema esquecido. É visto como ingênuo quem acredita na misericórdia de Deus. Portanto, é preciso agora, repensar o tema da misericórdia e dar a sua devida importância de novo”.

O bispo de Santo André perguntou sobre o significado da passagem Mt 5,7 (Felizes os misericordiosos no Sermão da Montanha), e reforçou que “Só perdoa de fato quem é forte. Perdoar não é uma missão para os fracos.Quem está ao lado de Deus consegue amar os inimigos e não só os mais chegados”. Em outro momento disse “Deus nos dá o que necessitamos e não o que pedimos. Deus nos ama, não por que merecemos, mas por que necessitamos do amor de Deus”.

Quase ao final da sua palestra Dom Pedro disse“A Igreja sem caridade, sem misericórdia não é a Igreja de Deus. Necessitamos desta misericórdia. Nosso mundo é desumano para com os enfraquecidos, os doentes”. E que “Ninguém nasce amando. Trata-se de uma decisão a ser tomada em nossa vida.Claro que não podemos consertar o mundo. Quem vai fazer o Reino de Deus é Deus. Nós só podemos e devemos nos preocupar em fazer a nossa parte. Vejam que Santo Afonso se tornou santo sendo porteiro de um convento…”.

O presidente da sub-região pastoral SPII, dom Edmilson Amador Caetano concedeu uma entrevista ao site do Regional Sul 1  e contou que o evento foi um momento de encontro, partilha e comunhão das oito dioceses que compõem a sub-região. “Tivemos a temática sobre o Ano da Misericórdia que foi magistralmente exposta por D. Pedro Cipolini. A participação nos grupos de partilha foi muito boa. Isso foi percebido pelo plenário e pelas perguntas dirigidas a D. Pedro. De fato, a misericórdia, não só como sentimento, mas ação da Igreja, torna-se um desafio em todos os setores da pastoral. Acredito que o encontro foi estimulante para a vivência deste ano e para a caracterização da nossa ação pastoral”, ressaltou o presidente.

O bispo ainda ressaltou a importância do tema da misericórdia. “Falar da misericórdia em todos os ambientes e vivenciar esta misericórdia através das Obras de misericórdia é o grande desafio. Vivemos na região metropolitana de São Paulo com toda a complexidade de situações. É uma imensidão. No entanto, penso, o que fará a diferença será a vivência da misericórdia em cada uma das nossas pequenas comunidades e realidades eclesiais”.

(Humberto Pastore – Com Renato Papis. crédito das fotos: Pe. Rodrigo – Secretário Episcopal de Dom José Negri)

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