Encontro do Ecumenismo

POSTADO EM 01 de Outubro de 2018

                                                                                         A Única Igreja de Cristo

                De 21 a 23 de setembro participei do encontro da Comissão Episcopal para o Ecumenismo e Diálogo inter-religioso do Regional Sul 1 CNBB. Este encontro foi marcado pela convivência com irmãos e irmãs de outras igrejas cristãs. As reflexões foram na perspectiva de apresentar a nós uma fundamentação bíblica para o Ecumenismo e a fundamentação teológica-católica para o Ecumenismo.

                A palestra sobre a fundamentação bíblica foi ministrada pelo pastor da Igreja Presbiteriana Independente, o Rev. Fernando Bertolloto. Segundo ele a fundamentação bíblica para o Ecumenismo é a própria Bíblia e em segundo lugar seria o uso dela a partir da tradução ecumênica da Bíblia que ao invés de seguir a tradução católica e ou mesmo protestante está baseada na organização dos textos bíblicos conforme a tradição judaica no que diz respeito ao Antigo Testamento ou 1ª Aliança. Essa perspectiva além de ser ecumênica é também inter-religiosa pois considera o processo da revelação segundo o hebraísmo.

                A palestra  sobre a fundamentação católica para o Ecumenismo foi ministrada pelo Pe. Marcos que é o assessor da CNBB para a Comissão Ecumênica e o Diálogo inter-religioso. Partindo da compreensão fundamental sobre o ecumenismo encontrado no documento conciliar Unitatis Redintegratio que significa a reintegração da Unidade, ele procurou abordar como entender a perspectiva ecumênica como dimensão essencial da vida cristã.

                A Igreja Católica contém a plenitude dos bens da salvação, isto é, fundada por Cristo é nela que se encontram os elementos que garantem a plenitude, isto é, o ministério petrino, os sacramentos, a Palavra, a presença real de Jesus na Eucaristia e o Batismo trinitário. Nas outras igrejas cristãs, algumas poderão ser chamadas de igrejas-irmãs, pois possuem esses bens mas não  reconhecem o ministério petrino e outras ainda se reconhecem na Palavra e no Batismo.

                Entretanto a Igreja reconhece que o chamado a Unidade é desejo de Cristo que quer que todos sejam Um como Ele e o Pai são Um. A Igreja católica subsiste na Igreja de Cristo, isto é, a Igreja de Cristo, o Corpo Místico de Cristo se estende também as outras igrejas cristãs e assim podemos falar de uma só Igreja. Embora dividido o Corpo de Cristo, Ele nos chama à Unidade.

                A Igreja é Una, isto é, é da sua vocação realizar a Unidade e está se faz através do reconhecimento das “sementes do Verbo” que estão em cada igreja cristã. Os cristãos e cristãs são chamados e chamadas à Unidade e esta se expressa pelo testemunho de fé e amor a Cristo que demonstram. O amor a Cristo se demonstra concretamente como amar uns aos outros como Ele nos amou e ama.

                Ser ecumênico é da essência da Igreja pois Cristo nos quer seus discípulos e discípulas para testemunhar no mundo sua salvação. Comunicamos a amor salvífico de Cristo quando cada vez mais as igrejas cristãs vivem unidas. A Unidade não é uniformidade, mas é verdadeira unidade na diversidade. O Papa Francisco tem usado a imagem do poliedro para demonstrar a Unidade Cristã. Cada igreja está ligada a outra por uma linha que juntas formam um poliedro, isto é, cada igreja cristã com suas condições particulares faz juntos crescer a Unidade e assim o Reino de Deus no mundo.

                O ecumenismo é também a dimensão que comporta a missionariedade da Igreja. Evangelizar ecumenicamente é um modo próprio de missão. E na missão ecumênica o diálogo é o jeito de realizar a unidade. Ecumenismo deve ser compreendido como a maneira própria de ser do cristão e da cristã, pois amar a Deus e ao próximo como a si mesmo é o caminho da santidade que nos chama o Senhor.

                Ser ecumênico é amar o outro como Jesus ama a cada um. É respeitar e reconhecer o valor da experiência cristã do outro. É aprender com o testemunho do outro e pedir perdão pelos pecados de ofender o irmão e irmã que professa a fé em outra igreja cristã. É acima de tudo compreender que todos somos membros do Corpo Místico da Igreja de Cristo e empenhar-se para que este Corpo que já está tão dividido comece a se unir mais e mais.

                Ser ecumênico faz bem ao coração e a própria fé. Como aprendemos com o outro, como podemos crescer enquanto pessoas no contato com pessoas que professam a mesma fé só que a expressam de modo diferente. Como podemos nos tornar pessoas com mais fé, esperança e acima de tudo caridade quando buscamos amar o outro irmão e irmã de outra igreja cristã e nos reconhecemos todos como cristãos e cristãs.

                Diz Bento XVI que temos mais motivos para nos unir que nos separar. A fé em Jesus nos une. Que possamos deixar o nosso coração ser inflamado pelo Espírito Santo que nos quer realizando o desejo de Jesus de que sejamos Um como Ele e o Pai são Um. E assim possamos viver unidos cada vez mais na Única Igreja de Cristo.

Que sejam Um!

Deus vos abençoe!

               

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