FAZER UMA "BOA POLÍTICA"! por Pe. José Antônio Boareto

POSTADO EM 07 de Outubro de 2020

FAZER UMA "BOA POLÍTICA"!

O Papa Francisco na Exortação Apostólica “Evangelii gaudium”  dedica alguns parágrafos (n. 222-237) a definir e explicar o que é a “boa política” em quatro pilares sobre os quais é necessário recuperar a arte política. Ele reconhece que a política é uma sublime vocação, uma das formas mais preciosas da caridade, porque busca o bem comum e por isso pede ao Senhor que conceda mais políticos, que tenham verdadeiramente a peito a sociedade, o povo, a vida dos pobres! (Cf. EG, n. 205)

Os quatro pilares indicados pelo Papa Francisco são: 1) A tensão ética:

elaborar programas sociais inspirados nos valores transcendentes - toda pessoa é imagem viva de Cristo - que não devem ser sacrificados em nome da economia. 2) A laicidade: em nosso tempo é preciso redescobrir a solidariedade por meio da “cultura do encontro” para chegar a viver unidos no respeito da diversidade 3) O bem comum: é necessário enfrentar, por um lado, os problemas locais tendo presente o seu alcance global, por outro, enfrentar os problemas gerais sem deixar a responsabilidade local. A primazia do bem comum se dá no primado da pessoa humana. A sociedade vem antes do Estado. Todos somos responsáveis pelo bem comum e essa é a razão de ser da autoridade política. 4) O espírito de serviço: fazer a política no estilo de serviço. Isto significa que ela deve estimular a participação responsável dos cidadãos e não sua submissão passiva, e realizar a síntese entre subsidiariedade (ajuda) e solidariedade (justiça). Quem vai exercer o poder com vistas à “boa política” deve ter consciência antes de tudo que a realidade é maior que a ideia. A “boa política” deve acontecer na realidade, procurando enfrentar os problemas verdadeiros das pessoas, evitando fazer promessas impossíveis, que nunca serão realizadas.

Considerando estes pilares para “boa política” podemos afirmar que a  procura do bem comum é antecipar aqui o que viveremos quando estarmos em definitivo no Reino de Deus. Ele está no meio de nós e chama-nos a vivermos entre nós na fraternidade e numa amizade social que favoreça a solidariedade e assim possamos realizar um desenvolvimento que não seja apenas do bem-estar econômico, mas que considere a pessoa humana em todas as suas dimensões.



Que os candidatos e candidatas tenham como objetivo em seus projetos políticos empenharem-se em promover processos de mudança que favoreçam superar as desigualdades sociais/raciais e não ampliar o vosso espaço de poder. E na inspiração do Evangelho sua ação seja em prol do amor ao próximo que é respeito ao outro demonstrado como misericórdia aos que sofrem, os pobres e excluídos do município.

Termino com uma palavra de esperança, pois o(a) cristão(a) mesmo estando diante do abismo do pecado (as divisões, separações, preconceito, discriminações, toda forma de injustiça e exploração) à luz da esperança que vem da obra do Redentor recebe Dele o amor e sua força transforma as relações humanas e renova a       sociedade.    Inspire-nos Santo Agostinho, em particular, aos candidatos e candidatas, os quais, sendo eleitos(as) ou não, vivam a vocação de fazer a “boa política”, o qual ensina que amar a cidade é amar ao cidadão e esta caridade que é doce ao dizer e ainda mais doce ao fazer (Dilectio, dulce verbum, sed dulcius factum) é um modo próprio de amar em cada pessoa o próprio Cristo, sobretudo naqueles que estão com fome e sede, doentes e sem teto, terra e trabalho, presos ou doentes, refugiados e estrangeiros entre nós, pois o que fizerdes a eles é a Mim que o fazeis.

Que saibamos tratar a política com cuidado, pois serão vocês que irão cuidar dos pobres, de nós, da cidade, incluindo sua natureza, durante o período de quatro anos. Que escolhamos candidatos(as) que sejam comprometidos(as) com  a verdade e com a caridade. Em oração por vocês e por nós.

Pe. José Antonio Boareto

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